| Cadernos da Montanha Peneda Soajo III |
Cadernos da Montanha Peneda Soajo III

Carro de esrtume - Sistelo

Com a divulgação do conjunto
de artigos que integram a presente publicação, encerra-se um ciclo de profícua
actividade que teve como objecto um território rural com muitas especificidades,
para o qual equacionar o desenvolvimento sustentado significa um enorme desafio.
Durante praticamente dez anos,
começou-se por tentar conhecer, a partir de abordagens sistematizadas e com
metodologias técnica e cientificamente adequadas, não só os modos de produção
existentes, como as razões e o sentir dos seus agentes. Em seguida, procurou-se
encontrar respostas para questões concretas do desenvolvimento do território, ao
nível das produções existentes, da análise de possibilidade de introdução de
produções alternativas, ou do estudo das potencialidades de mercados
especializados. Neste domínio, teve-se sempre presente a necessidade de buscar
soluções realistas, que optimizassem uma utilização adequada dos recursos
endógenos e fossem pouco exigentes do ponto de vista de incorporação de factores
de produção exógenos e descaracterizadores dos produtos locais e da sua imagem.
Procurou-se ainda fazê-lo num quadro de estrito respeito pela preservação do
ambiente e dos recursos naturais.
Em simultâneo, testaram-se e,
sempre que possível, viabilizaram-se em concreto algumas soluções adaptadas às
necessidades mais prementes identificadas pelos agricultores deste espaço e,
quando tal se apresentou viável, procurou-se uma actuação articulada com outros
vectores de âmbito económico ou social.
Naturalmente que, como em
tudo, umas coisas foram mais conseguidas do que outras. Há, no entanto, três
casos em que o sucesso parece ter sido adquirido: o maior conhecimento das
dificuldades e das potencialidades do espaço rural do território em causa, a
empatia conseguida com as populações locais e o estreitamento de laços
institucionais em torno de um único objectivo: o desenvolvimento sustentável de
um território de montanha.
Sendo certo que quando termina
um ciclo outro se inicia, os três elementos antes referidos poderão constituir o
cimento agregador que permitirá encarar com optimismo a prossecução dos
objectivos de desenvolvimento, deste território como de outros com as mesmas
características estruturais e que são bastante frequentes na Região de Entre
Douro e Minho.
O conhecimento técnico e
científico relacionado com os sistemas de produção constituirá uma ferramenta
fundamental para a adequação das produções específicas a mercados específicos ou
induzirá esses mercados, naturalmente estruturados em nichos bem delimitados. A
empatia estabelecida com as populações locais, que não exclusivamente os activos
agrícolas, permitirá desenvolver adequados processos de mudança numa base de
grande confiança mútua, factor que potenciará os resultados. Por fim, a sólida
parceria institucional estabelecida localmente, envolvendo autarquias locais,
organismos da administração pública, instituições científicas, organizações de
produtores, produtores individuais, etc, permitirá uma actuação concertada e
oportuna visando a realização das acções mais necessárias e nos momentos mais
apropriados.
Estão assim criadas condições
para que o arranque deste novo ciclo de actividade em prol do desenvolvimento
sustentado em territórios de montanha e das suas populações, que se adivinha e
que se deseja, possa iniciar-se numa base sólida e proactiva no que às
prioridades e alocação de apoios específicos diga respeito.
Entre outros, vão neste
sentido trabalhos neste momento já em curso, desenvolvidos por parcerias
institucionais com relevância local, para estudo e implementação de um novo
modelo de gestão de baldios nas Terras Altas do Vez e ainda os estudos relativos
à contribuição que o crescimento da floresta, na área do Soajo e do Lindoso,
representa em termos da absorção de dióxido de carbono e que, a médio prazo,
poderá ser transformado em nova fonte de receita para a região.
A avaliar pelo que até agora se passou, é legítimo esperar que no final do ciclo que agora se inicia se possa experimentar a estimulante sensação de que mais um passo terá sido dado no sentido do progresso desta terra e destas gentes.
Artigo 1 - Valorização e Promoção de Plantas Ornamentais
Artigo 2 - Valorização e Promoção de Plantas Aromáticas e Medicinais
Artigo
3 - A Produção de Queijo em Queijarias Tradicionais
Artigo
4 - A Produção de Carne nas Serra da Peneda e Soajo
Artigo
5 - A Produção de Carne de Galinha
Artigo
6 - Reestruturação do Pomar de Citrinos de Ermelo
Artigo 7 - Centros de
Transformação Agro - Alimentar em Centros Rurais
Artigo
8 - Brandas de Gado das Serras da Peneda e Soajo
Artigo 9 - Construção em Fardos de Palha
Artigo 10 - Transportador de feno
Artigo 11 - ....
Editorial
Carlos Duarte - Director Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho
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